HIPNOS
é suposto a vida ser assim?
isto faz parte?
há quem diga que sim.
talvez a tenha achado tarde.
um torpor,
dormência
sempre existi assim?
talvez estivesse alienada
ou quem sabe assoberbada
pelo absurdo sem fim
que é o estar, e unicamente estar
olho para as outras vidas
e não sei se sofrem isto
(talvez às escondidas)
esta sensação de entorpecimento
em que nem flui um pensamento
como se isto fosse um lento
desabitado
momento
assombra-me o apagar
da flama
que antes aclama
para o constante criar
esplêndida criação!
que é trazer vida e movimento
talvez traga sempre um senão
que é necessário adormecimento
mas faz tanto RUÍDO
ouço os vossos berros
como num uníssono latido
empurram-se entre egos
KALI
DESTRUIÇÃO
tens o teu encanto
atrais-me como uma maldição
és visceral
e trazes-me o mais profundo da minha natureza
(serei esta eu?
fui ensinada a não magoar
nunca perturbar
nem sussurrar…)

eu morro tantas vezes
mirram minhas entranhas
minha vivência azeda
e vergo as minhas asas
e nesta dor
perco-me, apago o meu ser
sinto que nunca voltarei
a ver a luz do amanhecer
porque reajo, mesmo que lenta,
sobrevivo.
dizes-me violenta
mas, na verdade,
deixo o subversivo