
pedem-me que fale do amor
daquele jeito que querem ouvir
como é belo cru raro e vil
já vos disse que estou nele sempre a cair?
dizem-me que finjo
que quero a todo o custo parecer
que os meus caprichos atingem
aquela sua paz que querem manter

fios que me seguram as mãos
sussurram vozes
tremores atropelam o imaginário
quem está aí?
sabes aquela sensação de desadequação?

desengonçada
feia
manchada
deslocada
constante, sempre desadequada
desfragmento
e desfaço-me em várias
pertenço onde não estou
estou onde não pertenço