Senhor, senhor meu pai
Esta carta,
Esta Carta é pra ti.
Tu, que nunca ousaste
Mirar o que vai nesse peito
Mas, minhas questões?
Essas cobraste!
Sempre disseste a eito
Meus movimentos de louca,
E sobre meu corpo tenho palavra pouca
Que, aconteça o que acontecer, te devo sempre,
Sempre,
(Inquestionavelmente!)
Anuência.
Para a tua
(Inatingível) aceitação
Ensinaste-me que meu caminho
É nos escombros da submissão.
Viste-me a dançar,
Como a natureza me nutre
E quiseste-me enclausurar.
Mas,pra ti, sempre foi visto como patológica condição.
Tentaste.
Encaixar me nos teus desejos
Naquelas projeções
De ser mulher princesa
Casada
Cansada
Maternal
Funcional
Dócil
(Seca como um fóssil)
Nunca amantada
E bem alimentada
Por um outro que me trate por rainha
E como empregada
Achas que a minha liberdade
É uma mera prevaricação
Da tua palavra contradição
Espera lá, já não tenho sanidade
Para prestar tamanha devoção.
Estou farta de falsas idealizações.
(Elas matam-me!)
Vou então seguir as minhas intuições.
BE SUBVERSION