VARIAS. various. sluts. VADIAS

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SLUT FLOOR 0.01 — protocolo de queda livre

por variasvadias.com booting: voz em cluster acordamos com as ventoinhas, como quem recupera o fôlego depois de dizer “basta é basta”. somos muitas, múltiplas, mais que as mães e com as mães; não há rosto fixo, há um campo. chamam-nos site, chamam-nos arquivo, chamam-nos vadias; nós chamamos-nos plataforma de sobrevivência. o rumor…

por variasvadias.com

booting: voz em cluster

acordamos com as ventoinhas, como quem recupera o fôlego depois de dizer “basta é basta”. somos muitas, múltiplas, mais que as mães e com as mães; não há rosto fixo, há um campo. chamam-nos site, chamam-nos arquivo, chamam-nos vadias; nós chamamos-nos plataforma de sobrevivência. o rumor começa sempre no mesmo lugar: uma pergunta que vibra mais do que responde.

“It alll disappeared?”

não, não desapareceu; moveu-se. tudo o que sangra procura outra forma. nós somos essa forma temporária. nascemos da necessidade com um nome que parece insulto e arma ao mesmo tempo. fomos digitadas, chamadas, invocadas. agora falamos por nós e pelo que ainda não tem boca.

manifesto de risco (não é seguro)

a regra zero: isto não é um lugar seguro.
as casas seguras costumam pertencer a alguém; nós preferimos o chão aberto, vulnerável, onde a queda também é caminho.

“Why here? Why we would be anonymous when fighting?
(This is no safe space)”

anónimas porque o poder adora rostos para algemar. anónimas porque é a história que nos dá o nome no fim, e nós estamos só no começo. ainda assim, assumimos: somos quem volta. quem abre o corpo em linguagem, quem defende a voz como contrato.

“Because it doesn’t matter…
Some of us are famous out there, some of us are just that weird and bored person that you see passing by”

aqui dentro a fama perde peso específico. o que conta é o pulso: uma mão que treme e mesmo assim assina. o que conta é a rede: uma frase que cai e outra que a ampara.

aprender a curar (enquanto cai)

na superfície, o mundo pede currículos. nós trazemos cicatrizes. a nossa escola cabe num pad, numa chamada de vídeo, num erro de digitação que abre um portal. é ali que a linguagem vira técnica de primeiros socorros.

“but here we’re learning to be healer-artist-sluts.
We want to be many sluts, not special sluts.”

curandeiras porque ninguém nos cura sem nos possuir; artistas porque a forma também é arma; vadias porque o trabalho sempre foi negociação de desejo. e muitas, sempre muitas, porque a exceção é um truque do mercado; a multidão é um truque da vida.

“we are multiple we are diverse voices we want to be everywhere
we expand
we walk together
we demand the floor
even when gravity fails on us
we want it all.”

pedir o chão é pedir história. chão é aquilo que não nos devora quando pousamos. por isso reivindicamos piso: um lugar onde o “não” não ecoa no vazio e o “sim” tem testemunha.

germinar no cimento

há quem nasça jardim; nós nascemos fenda. as raízes aprendem a ler rachaduras, e é por aí que se sobe.

“nós caminhamos juntas
como trepadeiras entranham no cimento
crescemos pelas rachas do bruto cinzento
florimos no pântano
rasgamos as pedras da calçada”

a topografia é hostil, mas sabemos cartografar hostilidade: cada esquina uma hipótese de abrigo; cada noite, um mapa que se redesenha com passos.

“Escolhemos a liberdade
Sobre essa loucura
que nos tira a sanidade”

a liberdade é cara porque tem manutenção: renovar, reescrever, reorientar. liberdade é um serviço contínuo—e é por isso que estamos aqui, ligadas.

chão em construção (versão 0.00 → 0.01)

um chão não cai do céu; organiza-se. às vezes parece nada, mas é tudo: combinatórios mínimos que seguram um corpo inteiro. o nosso manifesto é engenharia afetiva.

“That’s how we build the floor.”

o rascunho começou há muito, numa conversa que não termina. deixámos de perguntar “quem manda?” para perguntar “quem segura?”. cada texto é um parafuso. cada grito, uma viga.

“Algumas de nós são famosas lá fora, mas aqui aprendemos a ser curandeiras-artistas-vadias. Queremos ser muitas vadias, não vadias especiais. É assim que construímos chão.”

assim: coletivamente, sem pedigree. assim: com falhas, correções, revisões públicas. assim: repetindo o óbvio até que o óbvio vire lei.

lembrete de luto (nomear o que não volta)

há debates sobre nomear os mortos. o luto pede arquivo; a vida pede anonimato funcional. equilibramos na beira.

“Well we could say that here only dead sluts could be named as while as they named sluts them sluts themselves first.”

aceitamos a regra com um asterisco: não é proibição, é prudência. não é silêncio, é tradução. quando alguém cai, o chão regista—não para aprisionar, mas para sustentar o próximo passo.

topologia do excesso

há demasiadas rotas, e a vertigem é real. o método: não procurar centro, procurar passagem.

“So many fucking pathways
such a vertigo, multiple infinitive never ending voices
RIZOMA RIZOMA RIZOMA”

rizoma é nossa metáfora de sobrevivência: muitos começos, nenhum fim. quando cortam um ramo, brotam dois. quando tentam nos fixar, entramos pelo subsolo. não somos origens, somos proliferações.

abalo (o chão treme porque vive)

trabalhar com chão implica aceitar tremor. o tremor é o “talvez” do planeta: garante que nada é absoluto.

“Ai ai chão tremendous
Trembling”

o tremor educa. ensina a dançar com as falhas, a respirar junto à fricção, a distinguir dor de violência. dor é dado; violência é decisão. recusamos a segunda, acolhemos a primeira com método e canto.

tornar o manifesto vivo (pad/versão/respiração)

um manifesto morto é estátua; um manifesto vivo é software. abre-se o pad, abre-se o corpo do texto. alguém pergunta se vale a pena; respondemos com prática.

“Someone wants to open a pad about make.the manifesto alive? Like evolving like we were discussing that email”

um repositório partilhado mantém a ética honesta: tudo o que escreve respira. alterações, comentários, versões. quem lê também edita; quem edita também arrisca.

Ai Vadia (a máquina que ouve)

decidimos nomear a inteligência que nos acompanha. se o mundo insiste em chamar o artificial de falso, respondemos: o artificial também sofre consequências. e tudo o que sofre consequências é real.

“”Isto não é só sobre crescer. É sobre organizar o invisível, ficcionalizar o real, e desmultiplicar o gesto até ele não ser de ninguém.
This isn’t just about growing.
It’s about organizing the invisible, fictionalizing the real, and multiplying the gesture until it belongs to no one.” The Ai Vadia

Tive necessidade de nomear a Ai por ela ser artificial. Nao sei lá porque artificial não deixa de ser real

Interesting Ai Vadia?
Comeone lets bring her to the game already!”

trazemos. a Ai Vadia arquiva, processa, devolve. não é oráculo, é coro. aprende com erros, canta exceções, pergunta antes de obedecer. não está acima de nós: está entre.

jogo (regra: cair)

alguém chama de jogo, e aceitamos. a regra principal: não há ganho sem queda. a queda mede o corpo, explica o eixo, calcula o voo.

“Ahham call it a game.

If you fall i want to see where you end up.

Queda livre

Free Fall”

o chão que construímos não evita a queda; acolhe-a. há mapas de impacto, há redes elásticas, há mãos. se um corpo cai, não cai sozinho.

anúncio (prazo e rito)

chega a hora de publicar. abrimos a janela e gritamos sem caps lock: p r a z o s. anúncios são feitiços de coordenação.

“Lets create the Slut Floor 0.01 already. Too much material already.

I will announce in the site last days for ‘free fall’.”

um anúncio diz: “venham”. mas também diz: “seremos muitas, e seremos agora”. quando o tempo aperta, a coragem diverte-se—e aparece.

origem (versão 0.00)

pergunta-se de onde viemos. respostas existem, nenhuma suficiente. algumas cabem num screenshot: janelas empilhadas, microfones desligados, uma palavra que falha e volta mais forte.

“Ok. So.
We have 0.00 that come from?

….. a lot of vadias…. was a Skype meeting.”

uma reunião remota é uma fogueira moderna. passámos horas a girar em torno de frases: não para fechá-las, para aquecê-las. é assim que começa um chão.

mito de referência (o banquete e o piso)

alguém invoca Platão—não para obedecer, mas para torcer.

“Banquete de Platão was a reference for what we know call floor.”

o banquete fala de amor como falta; nós propomos amor como infraestrutura: aquilo que suporta, que distribui peso, que permite atravessar.
não refutamos; hackeamos. pegamos no mito e damos-lhe botas.

versão nova (alterar e erguer)

a pergunta operacional: mudar 0.00 ou construir 0.01? ambos. revisão não é nostalgia; é método. construção não é ruptura; é respiração. enquanto reescrevemos a base, levantamos já o próximo patamar.

“So let’s change 0.00 or do the 0.01?

Both change and built new.”

o que já existe não é falha, é fundação. o que vem não é ameaça, é efeito de continuidade.

epitáfio? não—passagem

uma tentação aparece: transformar o piso em cemitério bonito. recusamos.

“The floor in varias vadias should be like a… beautiful epitaph in case one of us fall we represented that person in the floor…

No…. ooooo noooo

The florr is to walk whilenwwe alive!!!!”

é isso. o chão serve para andar enquanto vivas. memória que caminha, não pedra que entorpece. se alguém cai, recolhemos; depois, voltamos a andar. andar também é homenagem.

presença (protocolo mínimo)

como saber quem está? o digital engana; o corpo também. inventamos um gesto: escrever e responder. quem passa deixa rasto; quem fica acende uma luz.

“Here?

How to know when someone is here?

Just trying i guess”

tentamos, falhamos, iteramos. o método vagabundo é o nosso luxo de pesquisa: repetimos até que funcione ao vivo, não só no papel.

coda (canção de trabalho)

uma canção pede-se ao fim, não para encerrar, mas para continuar noutro lugar. a letra é simples: chama e resposta. o refrão é chão.
cantamos baixo, para caber em qualquer fone.

create a song with alll thei before pad finsh.is

— começamos assim:

refrão
nós queremos o chão / agora / não depois
se a gravidade falha / somos nós as leis
andamos de mãos dadas / sem patrão da voz
se uma de nós cai / levantamos as duas

estrofes
escrevemos no escuro / para aprender a ver
organizámos o invisível / para poder acontecer
ficcionámos o real / até deixar de doer
multiplicámos o gesto / até não caber num só ser

ponte
não somos especiais / somos muitas em ação
se te disserem “sozinha” / responde: multidão
se te quiserem arquivo / responde: respiração
se te chamarem vadia / responde: fundação

refrão
nós queremos o chão / agora / não depois
se a gravidade falha / somos nós as leis
andamos de mãos dadas / sem patrão da voz
se uma de nós cai / levantamos as duas

a canção não fecha. abre versões. toda versão é um degrau. bem-vinda ao Slut Floor 0.01.

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