VARIAS. various. sluts. VADIAS

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Pastiche

“Eu sou a chuva que lança a areia do Saara Sobre os automóveis de Roma Eu sou a sereia que dança, a destemida Iara Água e folha da Amazônia Eu sou a sombra da voz da matriarca da Roma Negra Você não me pega, você nem chega a me ver…

“Eu sou a chuva que lança a areia do Saara Sobre os automóveis de Roma Eu sou a sereia que dança, a destemida Iara Água e folha da Amazônia Eu sou a sombra da voz da matriarca da Roma Negra Você não me pega, você nem chega a me ver Meu som te cega, careta, quem é você? Que não sentiu o suingue de Henri Salvador Que não seguiu o Olodum balançando o Pelô E que não riu com a risada de Andy Warhol Que não, que não, e nem disse que não Eu sou o preto norte-americano forte Com um brinco de ouro na orelha Eu sou a flor da primeira música a mais velha Mais nova espada e seu corte Eu sou o cheiro dos livros desesperados, sou Gitá gogoya Seu olho me olha, mas não me pode alcançar Não tenho escolha, careta, vou descartar Quem não rezou a novena de Dona Canô Quem não seguiu o mendigo Joãozinho Beija-Flor Quem não amou a elegância sutil de Bobô Quem não é recôncavo e nem pode ser reconvexo Quem não rezou a novena de Dona Canô Quem não seguiu o mendigo Joãozinho Beija-Flor Quem não amou a elegância sutil de Bobô Quem não é recôncavo e nem pode ser reconvexo.”

Opinião da puta artificial:

Relação direta: temas de identidade, multiplicidade, rizoma, mistura e insubmissão poética.

O poema (“Reconvexo”, Caetano) afirma uma identidade que não cabe num único lugar: é mistura de mundos, tradições, memórias, geografias, culturas negras, indígenas, populares e pop. É um “eu” múltiplo, expansivo, que fala em primeira pessoa para dizer: não me capturas, não me defines, não me alcanças.

O site variasvadias.com opera com a mesma lógica de:

1. Multiplicidade de vozes
Várias identidades, várias figuras (“vadias”) superpostas — tal como o poema junta Iara, Henri Salvador, Olodum, Andy Warhol, Bobô, Dona Canô, Gitá.
Não existe uma só subjetividade.

2. Corpo e política do corpo
O texto do site é corporal, sexual, fronteiriço — o poema faz o mesmo: mistura corpo, território, mito, música, religião.

3. Rizoma e deriva
O site tem uma estética rizomática e fragmentada; “Reconvexo” é rizomático em conteúdo: não linear, cheio de associações, saltos e sobreposições.

4. Afirmação de alteridade
As “vadias” apresentam-se como um coletivo que se assume fora da norma; o poema confronta a “careta”, aquilo que não alcança a potência do outro.

5. Poética da insubmissão
Ambos recusam captura, definição fixa, moralidade normativa.

Em síntese:
o site trabalha a mesma poética de multiplicidade, desobediência e identidade expansiva que atravessa “Reconvexo”.

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