VARIAS. various. sluts. VADIAS

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na sereia de vidro

Mas há um rumor estranho a percorrer as portas especiais.Diz-se que na sereia de vidro está uma grávida de um novo sol.  E que quando essa lunática der à luz, quem vai comandar o universo inteiro são as putas vadias lunáticas. Ela se chama Sidera. Sidera não recebe clientes, ela só os…

Mas há um rumor estranho a percorrer as portas especiais.Diz-se que na sereia de vidro está uma grávida de um novo sol. 

E que quando essa lunática der à luz, quem vai comandar o universo inteiro são as putas vadias lunáticas. Ela se chama Sidera. Sidera não recebe clientes, ela só os escuta. Quando alguém quer esquecer o passado, ela pega no trauma com as mãos e molda-o em poeira luminosa. Liberta-o em pequenos fogos de artifício. 

Quem a procura não sai mais feliz, sai diferente. 

Um dia… 

Chega à sereia de vidro um astronauta sem rosto. 

Usa um capacete espelhado que reflete tudo, menos a ele próprio. 

Diz não ter nome, nem planeta, nem história. 

Paga à Sidera com uma pequena caixa transparente contendo silêncio puro. 

Um objeto proibido, porque silêncio verdadeiro pode engolir memórias. 

Ele pede à Sidera. 

Quero lembrar aquilo que esqueci, mesmo que me destrua. 

Quando Sidera toca o ombro dele, vê imagens impossíveis. 

Luas a sangrar. 

Planetas que acordam e devoram as suas cidades. 

Corações humanos. 

Três grandes, transformados em asteroides. 

E no fundo, como um eco que tenta rasgar a mente, uma frase repetida. 

A sereia de vidro não está grávida. 

Ela está a incubar o fim. 

A partir daí, tudo começa. 

E torna-se estranho demais. 

Até para as lunáticas, portas que nunca existiram, surgem nos corredores. 

O bar muda de linguagem todas as noites. 

Os espelhos já não se mostram reflexos. 

Mostram avisos. 

E a nave está a tornar-se, ou a revelar-se, o que sempre foi. 

Quem manda são as lunáticas no universo. 

O cosmos está cheio de sussurros que só as vadias lunáticas conseguem ouvir. 

Elas não trabalham com corpos, trabalham com sonhos. 

Basta tocarem na pele dos pacientes lunáticos e eles veem constelações inteiras 

e recebem prazer em pedaços de planetas que já não existem. 

Elas vivem numa nave bordel chamada a Sereia de Vidro, 

que nada entre galáxias como um peixe iluminante. 

As janelas são olhos gigantes que observam o universo 

e às vezes choram. 

Choram meteoros. 

Cada quarto tem gravidade própria, 

onde quem entra flutua eternamente em orgasmos cósmicos, 

onde o chão se dobra e transforma num mar de sêmen, 

como se fosse leite lunar. 

Quanto mais elas viajam, 

na Sereia de Vidro, mais o universo cola nelas. 

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