Abril está quente e eu deito-me no céu como quem abre o corpo ao silêncio.
A lua vem devagar, redonda, quente, como se me conhecesse há séculos.
Ela encosta-se em mim, derramando luz pela minha pele.
Eu sinto o seu toque, como um calor suave que me percorre inteira de tesão.
Abril respira.
O ar cheira à noite aberta e eu deixo-me levar, como se a lua me puxasse para dentro dela.
Faço amor com a sua luz, com o seu brilho úmido,
com a força de sua luz, com o seu brilho úmido,
com a forma como me envolve, sem me prender.
Ela desliza pelos meus ombros, pelas minhas mãos, pelas minhas pernas
e eu fecho os olhos para sentir melhor.
Nunca pensei que a lua pudesse dar tanto prazer.
É um prazer lento, quente, calmo,
como se o tempo parasse só para nós duas.
Abril arde, mas eu arde mais, deitada na noite,
enquanto a lua me abraça e me faz inteira.

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