TInha eu sementes no peito, estava sedenta de um abraço Reguei-as a meu jeito flores rasgaram meu regaço
Sou flor vadia
abro-me a quem passa,
ao sol errado, à mão suja.
Não guardo virtude nem simetria.
Polinizo o caos, cheiro e chupo pó e deixo rasto
chamam-me puta porque não fecho.
mas é assim que as flores trabalham.
Não nasci para jarra ,nasci para racha. FLOR de carne aberta,no meio da sala.Tenho pólen nos dedos,sujo os lençois..
Sou flor promíscua por função
abro estigma, liberto cheiro,
chamo inseto e vento.
Não escolho pureza,
escolho fecundação.
Recebo, troco, espalho – é
assim que a vida insiste.
Chamam-me puta porque cruzo espécies, horários, erros.
Mas sem essa troca suja
não há fruto, nem semente, nem amanhã.
Não me podem.
Abro quando quero, onde calha
Não tenho centro nem dono
O pó passa por mim e eu passo por ele.
O que chamam excesso é só circulação
O que chamam puta é uma flor a trabalhar.
Sluts are the new Jesus
Sluts are the new Flowers
Nas paredes desenho flores
Porque me faltas.
na pétalas pinto cores
porque, cimento, nos matas.
Sigo lenta e torta,
e mesmo assim dou-lhes cor
(não fossem elas, então, flores)
- porque o cinzento nos sufoca.
Nós plantamos sementes
para que elas rasguem essa alucinação
que reside no betão.
Eu pinto flores Porque continuo aqui, mesmo que agora sem ti. Pinto a luta no luto Esta é a luta das flores.